quarta-feira, 2 de julho de 2008

Parte 7

Passa-se outro longo período, no qual Donovan buscava reunir forças, botar a cabeça no lugar. Que lugar? Ela já parecia ter saído para passear há tempos. Talvez anos. Quando foi que ficou assim? Melhor não pensar nisso. Ele parecia saber a resposta, e não estava disposto a ouví-la. Subitamente se deu conta novamente de que não estava mais sozinho, e resolveu voltar à realidade. Seu olhar focou-se novamente diante da garota diante dele. Ela parecia entretida com a viagem mental de Donovan.

-"Agora que você já jogou fora meu cigarro, está satisfeita? Pode ir embora. Já me tirou do sério."

-"E por que eu iria embora?" - A menina responde.
-"Porque você em primeiro lugar não deveria estar aqui. É tarde. É meu carro. EU estou nele. Isso basta."
-"o que te incomoda que eu esteja aqui?"

Incrível. Toda a minha resolução já precisava de recarga.

Donovan inspira profundamente.

-"Eu acho que você sabe muito bem porque estou aqui, hoje. Eu deveria estar sozinho. Certamente você me entende. Esqueça que me viu. Vá embora, estou te pedindo.

Era a segunda vez naquela noite em que Donovan deixava escapulir sua fraqueza. Desta vez ele não se importou tanto.

-"Não está com raiva de mim?" - A garota pergunta
-"Não, não estou. Tá, um pouco." - Diz Donovan, ensaiando um sorriso cínico. - "Mas não o bastante para isso. Você deve ser uma pessoa boa, só meio irritante. Agora vá embora. Em duas semanas terá esquecido de tudo.

Ela responde com uma gargalhada súbita. Sua expressão muda de ouvinte atenta para interlocutora despojada, e o faz espichando os pés sobre Donovan. Certamente era esse comportamento presunçoso dela que o irritava.

-"Eu vou fechar meus olhos." - Ela diz com um sorriso no rosto - "Não vou mover um músculo. Faça como quiser. Finja que não estou aqui."
-"Não! Você VAI sair. Acha que eu quero ter sua vida nas costas?"
-"Ué? E por que se importa? Não está pensando em jogar tudo para o alto?"
-"Tudo' não inclui você. Eu tenho meus motivos. Tira seu pé daí!"
-"Hihi... te bateram AÍ também? Está doendo?"
-"Não. Não bateram. Não está doendo. Só TIRE!"
-"Tire você."

Ela conseguiu. Donovan estava em seu limite.



terça-feira, 10 de junho de 2008

Parte 6 - pequeno epílogo

-"Diretor, algo errado?" - Disse Francis, com ar preocupado.
-"Não, Francis. Está dispensado" - O diretor falava de costas, sem encarar o treinador. Parecia perturbado ligeiramente.
...
-"Estou indo então"
-"Francis?"
-"Sim?"
-"Estava escutando atrás da porta?"
...

Francis lambe os lábios ressecados, repuxa a aba de seu boné mais ainda sobre a face, e parte em silêncio.

...

Parte 6

Michel estava visivelmente apreensivo. Franzia o cenho, e constantemente alinhava a mecha que lhe caía à testa. Mesmo aos vinte e cinco anos, ainda insistia em manter aquele corte estilo 'Boy Band'. Ele tentava manter a compostura, visivelmente ao menos.

O diretor Maximilliano sentava-se calmamente, buscando com o maior tato possível chegar ao assunto. Começou.

-"Senhor... Michel... e Senhora... " - O casal estava realmente apreensivo, e a oratória cuidadosa e pausada do diretor só aumentava a tensão no ar - "Os senhores têem uma filha adorável, muito inteligente... e promissora... A Alexa parece se sair bem em todas as disciplinas, e devo crer... que isto se deva a uma educação excepcional em casa, já que ela se comporta... de maneira bastante... despojada em classe...

Diante dos olhares arregalados do casal, o diretor decidiu ser mais direto e simplório. E Michel tinha motivos para estar assim. Ele já conhecia este linguajar eufemista. Ele próprio havia sido alvo deste tipo de comentário, quando mais novo. Maximilliano não era um homem muito criativo com as palavras, apesar de ser um homem letrado.

-"Vejam bem... Observamos que a sua menina, a Alexa, ela não tem se relacionado bem com seus colegas. Na maior parte do tempo ela é amável e prestativa, mas também tem uma personalidade difícil. Ela parece ter alguma... carência afetiva, e uma grande necessidade de auto-afirmação. Ela deixa pouco à vontade os colegas mais velhos e alguns professores. Muito embora muitas das histórias sejam meio estranhas, certamente fruto da imaginação impressionável dos mais novos, é algo que vale a pena dedicar um pouco de atenção. Ela também passa muito mais tempo com alunos das outras classes que com seus colegas. Eu gostaria de sugerir que não desperdicem o potencial dela, posso indicar uma escola para jovens acima da média..."

Ângela interveio, depois de seu longo silêncio - "Senhor Maximilliano, não gostaríamos de tirar a Alexa daqui. Ela já veio de uma outra escola, e queríamos (entreolha-se o casal momentaneamente) que ela recebesse uma educação mais normal possível. Com oportunidade de interagir com pessoas de sua idade num ambiente comum, ela pode se tornar uma pessoa mais tolerante..."

-"Entendemos seu ponto" - fala o diretor - "só receio que isso iniba os demais. Na verdade ela é um doce de pessoa, apenas um tanto imodesta. Nosso departamento de Orientação Educacional tem ouvido o nome dela um pouco mais que o natural... nada concreto. Por isso convocamos os pais para conversar, e ver o que pode ser feito com relação a isso...

-"Disse algo quanto aos professores" - Era a vez de Michel.
-"Aham, sim... a Alexa é bastante desenvolvida, e acaba gerando algumas situações desconcertantes ao discutir com alguns deles. Ela parece ter um ótimo poder de argumentação, se expressa muito bem para a idade. Longe de mim considerar isso um mal... o problema é que ela interfere com o andamento das aulas, impondo uma gama de questionamentos precoces... os professores também falam sobre o comportamento irreverente dela..."
...
O casal dá as mãos em sinal de cumplicidade. "Iremos ver o que anda acontecendo, diretor. Se isto é tudo, vamos levar nossa menina para casa agora" - Diz Michel.
"Não se preocupem, ela está na quadra para os treinos da tarde. Ela realmente gosta de fazer amigos, embora sejam bem maiores que ela. Ela sempre opta pelos esportes coletivos, eu recomendaria que ela usasse sua aptidão para esportes de atletismo, ou ginástica. Ela tem uma inteligência motora tão desenvolvida quanto as demais, e acaba ficando um pouco contida pela necessidade de trabalhar em equipe. Mas já mandei chamá-la."

A porta se entreabre. Treinador Francis esgueira sua face bronzeada e rude pelo vão da porta, precedida pela aba do boné vermelho de estimação.

-"Diretor, eu trouxe a menina."
-"Tempo perfeito! Pode entrar, Alexa. Seus pais estão aqui esperando por você."
-"Filha" - Disse Ângela, tomando as duas mãos da garota nas suas e olhando bem em seus olhos - "Precisamos ter outra conversa daquelas."
-"Pode crer que sim" - Completa Michel - "Obrigado diretor, estaremos sempre em contato. Agora deixe conosco.
-"Claro, claro. Ela é muito querida aqui, faremos sempre o melhor para cuidar dos seus pequenos como sua segunda casa" - Com essas palavras ensaia um desajeitado afago para a menina, mas algo na maneira de que ela o olhou o fez recolher a mão de forma ainda mais desajeitada - "Tenham uma boa tarde".

A menina tinha uma expressão amuada.

Parte 5

"Piiii" - soa o apito. Depois de voltas e mais voltas ao longo do aro, a bola finalmente encontra seu destino dentro do cesto. Três pontos. Ela sempre fazia isso.
'YAY!' - Grita em triunfo, com aquele típico gesto de puxar o punho em direção ao peito. Os demais olhavam, desanimados. Outra derrota para o time ginasial amador de St. Louis de basquetebol. O time vitorioso também não se portava com grande surpresa. Apenas atônitos como sempre, foram cumprimentar sua excepcional cestinha, que era considerada uma mascote pelo seu time. Com seus nove anos, ela ainda não podia competir oficialmente com seus colegas. Participava então dos treinos, todas as tardes. O time estava afiado, entrosado e ágil. Sua pequena estrela 'café-com-leite' limitava-se a devolver os rebotes, marcando cestas de três pontos debaixo de sua própria tabela. A marcação sobre ela era feroz, mas aquela pulga de 1,10m era muito ágil para aqueles aesires ginasiais, e ela usava cada abertura que surgia, seja quicando a bola ou arremessando diretamente.

"Valeu irmãzinha"; "Arrasou de novo" - Todos a afagavam, pegavam, apertavam-lhe as bochechas, a punham sobre os ombros. Era aquilo que ela adorava. Tá, isso também. A frustração engolida, o choro contido no banheiro, a decepção dos vencidos... só de ver aqueles peitos-de-pombo esvaziarem como bola murcha, ah! Como era gostoso colocar aqueles pretensos e orgulhosos quase-homens no chinelo! Se fosse só por isso, já valia a pena! Mas, ainda que um pouco assustados, seus companheiros a mimavam como a uma irmã mais nova.

"Alexa!" - Gritou o treinador - "Seus pais estão aqui para buscá-la!"

Alexa tremeu.

Não de novo! Por favor!

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Parte 4

O George tinha razão.

Entre amendoins e cervejas, nesta mesma mesa sebosa, ele me disse:

"Não importa a mínima o que se tem. Não somos criaturas coerentes. Se não temos aquilo que queremos, o que almejamos, não temos nada."

Sinceramente, o que eu tenho? Alguns amigos, uma casa quente, um emprego estável. Aquela bosta. Ninguém pode crescer naquilo. Mas alguém tem que fazer. Acho que a minha cara é mais conhecida nesse buraco depressivo, do que em qualquer outro lugar. O barman me conhece pelo nome, aqui minhas histórias circulam, bem ou mal, é claro. Mas tenho um refúgio, sim, eu tenho caro George. E tenho minha liberdade. Sim, hoje um homem na minha idade não poderia estar nesse pardieiro quando bem entendesse. O Moisés abre isso aqui sempre, todos os dias. Feriados, Natais, Páscoa... Alguns poderiam dizer que o Moisés é um homem sem vida e sem coração. Mas estão enganados. Ele não faz isso pelo dinheiro, embora tenha uma 'dura política sobre serviço a crédito'. Não. O Moisés é uma mãe e um pai. Ele sabe que pessoas como eu, ou mesmo uns tantos outros homens de família, têem aqui o seu refúgio. É aqui que eu, o George, o Álamo, o Sancho nos encontramos desde a faculdade. Sim, tenho companheiros fiéis. Alguns diriam amigos. Acho que sim. O som desta velha e monótona jukebox, essa luz amarelada, o murmurinho dos ébrios, essa atmosfera cheirando a tabaco, lúpulo, roupa velha e lenha crepitante. Essa é a minha verdadeira casa. Não aquela onde eu durmo, como. Aquela cujos azulejos, telhados, eu já recontei infinitas vezes, como já o fiz aqui. Aquela onde o único murmurinho é o som da tv ligada por toda a madrugada. Esta aqui. E o Moisés, é mais compreensivo e gentil do que alguém poderia esperar de qualquer esposa e seus ataques hormonais, seus desejos maternais, suas cobranças... sim, eu sou feliz. Eu poderia até mesmo descer a estrada, e mulheres de toda sorte estaria tentando a sua própria em outros bares, perdidas como eu, e buscando um consolo fugaz para uma noite fria. Sim, e se eu quisesse, poderia forjar um relacionamento duradouro. Porque não? Tenho bons dentes, um sorriso franco, ainda estou em forma. Eu poderia até vender enciclopédias, e ser bem recebido! O que mais poderia querer?

-"Vai querer mais uma?" -Fala a voz fanha de Moisés.Ninguém é perfeito.

-"Sim, bem gelada. E uma Escura também. E, Mô, seria demais pedir outro prato daquela coalhada bem assadinha?"

-"Tanto quanto "pedir" seja algo que você pretenda pagar. E pare de me chamar de Mô! Com esse apelido, e esse tom de voz afetuoso, vou começar a achar que vc está querendo casar comigo, e posso acabar aceitando." -E se volta- "Mas vou avisando, eu ronco pra cacete, não me depilo, e quando eu acordo de manhã minha cama parece que foi visitada pelo Katrina" -Prevenia em tom jocoso.

Rimos. O Moisés é um cara divertido, de raciocínio rápido e que sabe como elevar o ânimo de sua clientela. Seu humor é persipcaz; e com efeito, um homem de avental servindo bebidas e petiscos no feriado para bêbados, flácidos e carentes de atenção realmente soa como algo matrimonial. Ele é um bom homem, e já foi casado. Mas a bebida e o jogo não foram bons com sua família, e hoje o seu maior legado lhe foi deixado por sua ex, quando ela lhe disse "Já que não consegue largar a garrafa, por que não faz disso a sua vida"? Assim mesmo ele fez, juntou o dinheiro de um azarão e comprou esse bar. Fez disso um ambiente aconchegante, e para os padrões masculinos, limpo e respeitoso. Lá estava ele, rodeado de garrfas de bebida, transformando sua antiga fuga num meio honesto de vida. Bom Moisés...

E o George? Esse era um cara bom também. A maioria das pessoas se deixava levar por seu aspecto exterior inexpressivo, e ele próprio era um tanto lacônico com estas pessoas. Dane-se o que as pessoas pensam, dizia ele. Apesar de seu gesticular frenético, e ele era uma pessoa sensata quando discutia qualquer coisa. Morava com o pai, um homem rude, até a faculdade. Desde então rompeu contatos com ele, e se tornou essa pessoa um tanto simples, mas com um bom olhar sobre as pessoas. Era um bom filósofo, muito embora a academia não concordasse com esta colocação. Hoje somos amigos e colegas de trabalho.

Álamo sempre foi o franzino. Baixa estatura, magro, face marcada por vincos precoces desde o colegial. Ele não era ruivo, mas podia muito bem ser; ele era imaturo, e estava todo o tempo tentando se afirmar em alguma coisa. Geralmente contava histórias amorosas dignas do Barão de Munchäusen, se fosse do feitio do mesmo fantasiar mulheres fantásticas e seus encontros nada casuais. Mas era impetuoso e leal, e se em muitos momentos a amizade em nosso grupo estivesse ameaçada, era ele a levantar a bandeira do que cada um de nós era um para o outro. Quando não contava absurdos bombásticos para nos entreter, ele sempre falava como "Nós" e não "Eu". Ele e o Sancho sempre discutiam.

Sancho era um apelido, pois ele tinha ares latinos. Um grosso bigode fazia contraponto à sua face rotunda, assim como o resto dele. Ele sempre tinha uma postura áspera, e segundo ele, 'realista' das coisas. Tinha a mania de falar alto, e sua postura 'macho' por vezes o fazia soar como um exibido. A seu modo, ele era como o Álamo, só que com maior sinergia. Ele era todo auto-afirmação; e por este vero motivo é que ele e o Álamo brigavam tanto. Para o Sancho, Álamo era um perdedor que vivia escondido em suas mentiras sem pé nem cabeça e incapaz de encarar a realidade. E para o Álamo, o Sancho era um mentiroso que usava a própria pose para ser visto como alguém importante. Mas eles eram goiabada e queijo.

"Encontro vocês lá", eu menti. Esta noite está havendo um baile dos veteranos na antiga faculdade, e seria a ocasião perfeita para reviver os velhos tempos. Mas eu estou cansado de reviver os velhos tempos. Revivemos os velhos tempos e celebramos nossa amizade neste mesmo lugar ao menos duas vezes por semana. Hoje é um dia amargo para mim. Quase toda a cidade vai estar lá, e eu já revivo os meus fantasmas todos os dias. Não preciso encontrá-los pessoalmente e cumprimentá-los. Especialmente o 'Boi Ted', a mascote do time em que eu jogava. Ou a Jeanine pom-pom, animadora de torcida. Reitor Micael... a mesma múmia há mais de trinta anos. Dizem que o mal nunca morre, e ele é a prova viva (risos) disso. Não, já chega. Deixem celebrar. Hoje, é a MINHA noite especial. A mais importante dessas três décadas e meia. Hoje a gorjeta do Mô vai ser gorda...

...

terça-feira, 20 de maio de 2008

Parte 3


Não houve resposta. Nada além daquele sorriso presunçoso e moleque. Sentada novamente nos bancos traseiros, ela o fitava zombeteira pelo retrovisor. E toda aquela segurança o irritava. Donovan soube que falou demais.

A petulante então avançou por entre os bancos frontais, a fim de encarar seu irritadiço interlocutor. Irritação de mentira, ela havia constatado. Assim como também descobrira que ele não iria a lugar algum com aquele carro até que ela saísse de lá, apesar das diversas ameaças que Donovan ensaiava. E ela nada fazia além de olhar para ele com aquela profundidade perturbadora, e seu sorriso pueril, lábios ligeiramente entreabertos deixando os incisivos à mostra.

E Donovan sabia que ela estava lendo cada movimento, cada olhar, cada bufar de sua parte. Ele se sentia nu, desprotegido... "Desgraça! Pra que MERDA eu fui falar aquilo?" Ele estava posto em mesa, e aquela... aquela... Ela o estava saboreando, esquadrinhando, analisando e sintetizando... Ele tinha que acabar aquilo, e agora!

"Tá bom, o que é que você quer?" Donovan dizia isso meio como uma espécie de rendição velada. Ele recua o corpo, já que a menina e ele estavam tão próximos que ele respirava o mesmo ar que a garota. Cheirava menta, mas não parecia ser chicles ou coisa parecida. Seu hálito era fresco, naturalmente, e Donovan disfarçadamente o inspirava...

"Apaga isso! Está empesteando tudo!"-brada a garota. Ela avança para alcançar o cigarro em sua mão esquerda, fazendo com que praticamente se debruce sobre o motorista. Toda ela cheirava a orvalho da madrugada sobre flores, desfilando diante de seu nariz. Num gesto fugaz, ela o desarma de sua chaminé particular e atira seu cigarro pela janela, e volta a sua posição inicial.

-"Bem melhor agora", disse a garota com ares de triunfo.

sábado, 19 de abril de 2008

Parte 2

Passsam-se alguns segundos... era o tempo que a lógica precisava para dizer à razão que ela estava certa desde o começo...

"Vai ficar aí com essa cara?"- O homem tentava dar um ar emburrado a sua voz - "Já tenho problemas demais com sua família"

A garota, agora impressionada, saía com vagarosidade e cautela. Tempo. Ela queria tempo. Ela não queria que nada de mal acontecesse ao seu pai, mas simplesmente sair dali seria assinar a sentença de morte àquele suposto estranho.

"Por que ele não saiu do carro com a arma? Por que ele não reagiu?" Essas perguntas e suas respostas iam pertencer somente aos peixes, no fundo do lago, até que pela manhã a polícia rebocasse o carro de lá.

Além disso... Ela se importava. Se fosse para defender a si ou seu pai, ela teria mais que machucado àquele farrapo malcheiroso diante dela. Mas ela não queria que soubessem que ela o podia fazer...

"Vai ficar aí a noite toda? Ande logo! Não vou te dar carona pra casa. Tem coisas que eu quero fazer, e sinceramente, não quero te levar junto..."

Essa súbita afirmação tirou a jovem do estupor. Não tanto pelas palavras rudes, mas pela nota ao final. Parecia...

... !

Vestindo uma expressão resoluta, ela assume um sorriso confiante. Graciosa, ela torna a entrar no carro e bate a porta com força.

"Ficou maluca?!? "